sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Para onde olhar?

Já sabemos que as dores fazem parte da trilha. E podem ter certeza de que a dor da perda de alguém a quem devotamos o nosso amor, nunca cessa. Ela pode até adormecer por um tempo, ficar guardada onde nem imaginamos, se esconder por entre tristezas várias. Mas ela volta. Ah, pode apostar. Quando a vida parece mansa, aí basta um 'start' para as lembranças se abrirem em leques de degustação. Então...ou deixamos a lágrima escorrer, ou prendemos o momento e agredimos a essência que estava pronta pra ser explorada.

Pode ser até clichê essa conversa de cicatriz, mas se levada ao pé da letra, realmente faz muito sentido. Pois é, a ferida quando está nova, dói demais, melhor nem mexer. Já quando vira cicatriz, não dói mais como antigamente, porém, deixa marcada a pele dos sentimentos para sempre.

E se esse alguém era para você um espelho, um modelo de vida feliz, um mestre da arte do bem-viver, aí é que o piso racha e a vida perde o tom para onde olhar. Às vezes a vontade de ter compartilhado mais aprendizados é tão grande que a sensação de abandono reclama e cria constipações no coração.

Só queria ter aprendido o melhor: a ser tão leve e forte quanto ele...

À você, meu pai, eterno amor.

Batistão reformado













Ontem foi dia de lançamento da campanha "Esporte Para Todos 2009" no Batistão. Como estive trabalhando na ocasião, tirei algumas fotos do estádio que foi reformado e aproveito para recomendar a todos o acesso ao site da Fundação Aperipê. Lá você encontrará novidades sobre o Campeonato Sergipano 2009 e informações sobre a programação das emissoras da Aperipê. Confira: http://www.aperipe.se.gov.br/

Fotos: Lara Aguiar

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sonetos que não são

Olha só que poema delicioso de Hilda Hilst. Coloquei apenas um trechinho de "Sonetos que não são", pra mim o melhor. Me inspira... faz subir um vento de inspiração e contentamento que não consigo explicar. Afinal, é só pra SENTIR...

"Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."

(Hilda Hilst)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ex(in)clusão



Será que muitos alguéns já tiveram o destino da transparência? Invisibilidade que arde, sonho cego, sem alimento, a pulsar. Esquecer a vida, talvez. Mas um sim ajudaria. Sem explicações, só incertezas marejam na reta, onde outros já morreram com sintomas de estagnação. Nesse mangue, acomodada é a balança, que pesa mais pra lados obtusos. Essa aí não participa do real. E, se um dia chegar, causará espanto.
Os nobres não têm chance. Deve ser porque emergiram para fazer história, sem sorrisos, deixando o passado como lição para a doçura da hora. Ao lado, os cegos mandam ovacionar os medíocres. “Quem? O quê?”, diz a brancura do pensamento que não consegue se calar. Mas, a indecência da neblina nos olhos alheios é o que permanece. Tudo isso à espera de um estalar de dedos que diga mais do que uma idéia, que inspire novidade, levante a certeza e core de gloss a intimidade excluída.



Foto: Lara Aguiar

Disse não


Disse não ao mundo.
Falou em tom elevado o que o extra-de-si precisava ouvir.
Ou talvez aquilo que necessitava explodir.
Gritou maior que trovões.
Assustou com decibéis de trator,
destruindo a camada crespa da indiferença.
Mas quebrou mesmo foi a própria fraqueza da inconstância,
o semblante da incapacidade,
o olhar caído sobre a desilusão.
Dor de quem sabe que nada poderá mudar.
Mudou só o si, porque o lá é vazio.
Berrou tons vermelhos de ódio,
com intenções vingativas,
aquela boca caída de canto,
como quem pisa numa abelha que solta o ferrão,
sofre, arranca o espinho da dor, e mata.