segunda-feira, 22 de abril de 2013

Bethânia e seu Oásis

Um 21 de abril bem bonito pra ficar na história de Aracaju. Data em que Maria Bethânia trouxe seu show "Cartas de Amor" para o Teatro Tobias Barreto e nos encheu de arte, intensidade, sintonia, flor no coração e cantos de amor na alma.
Em um dado momento, Maria Bethânia deu um intervalo e seus músicos continuaram, sob a batuta do maestro Wagner Tiso, nos embalando com pérolas mineiras, se eu não me engano, "Os sonhos não envelhecem", "Cais" e "Maria, Maria". Tiso é mineiro e não iria perder a oportunidade de nos emocionar. 
No registro, fotos um pouco turvas, mas bem sinceras desta blogueira. 





segunda-feira, 8 de abril de 2013

Couro fino


Vida aberta para a vociferação das confusões que vem das palavras. Dizemos o que não deveria ser dito. Calamos aquilo que poderia vir ao mundo como a força de uma faca sendo enfiada na carne de um animal que segue para o abate. Isso porque a realidade abre fendas naquilo que teoricamente já estaria cicatrizado, então a insolação desse ar bruto nos faz mais arredios e quentes de desgosto. Não se salva uma pedra cauterizada pelo suor desse sal do momento. Até lágrimas evaporam no calor da expectativa, mas pelo menos nos salvam em segundos de cortes afiados na garganta: o que estava preso, se liberta, senão pelo signo linguístico, pelo menos pela água salgada que escorre na face de quem tem o revestimento mastigado e a pele com três camadas expostas à selvageria do mundo. Enxertemos a epiderme de coragem e dureza, porque nesta caminhada áspera, só o couro grosso sobrevive.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sereno


Invenção dos pontos que fecham esquinas e becos, protegendo o couro da realidade com tanta fita marcada para interligar a coragem e a sorte. Quem caminhou nessas ruas, percebeu a dureza das pedras e o chão escorregadio de uma chuva lacrimosa que limpou até a face lânguida do vazio. Sereno, o sereno esfria o nariz de quem sorri desajeitado, como se fosse a última alegria explorada na viela de dentro. Água, córrego, gotas, coração. Tum tum na calçada pra avisar que a tempestade chegou, avançou sobre as paredes da inconstância e soterrou a casa feita de incertezas. Sobraram restos de madeira prensada na esperança e mais a segurança de uma noite seca e suave. A vida é feita de barrancos, quedas e reconstruções. Enquanto o trovão esquarteja ouvidos e medos, cresce a palpitação de um caminho que só existe apontando para frente, lá onde o vento de sangue bombeia a cavidade das paixões.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lá maior


Eu queria ser uma música, daquelas que deliram por si, que também são absorvidas pelos poros, entram na veia da realidade e transformam a seca em água de sentimentos. Inundação de ilusões à beira de derramar, gostosa, silente e intensa. É nessa lagoa que quero descansar meu corpo, refugiar os meus mais belos olhares e manter uma harmonia dos sentidos. Prefiro deixar entrar essa vibração aguada, latente e pulsante, à qual me entrego e me deleito sem pestanejar, deixando a vida se colorir e o ar dançar entre as nuvens do pensamento. Estou solta, leve, lilás, deitada na luz que me esquenta e me carrega para o horizonte mais bonito, aquele em que as montanhas parecem uma sombra escondendo o sol a se por, dizendo pra chegar mais perto, se aproximar, gastar os passos pra cantar pra o alto. E quando a nota chegar nas nuvens, todo o céu vai se espraiar, derramar gotas de sonhos e ferver coragem. Verei de perto esta sangria harmônica percorrendo os tendões do mundo.

Foto: Lara Aguiar

domingo, 30 de setembro de 2012

Vai e não volta


Constância de sonhos, desmembramento de construções, olhar perdido na infinidade de possibilidades. O nada se prontifica, faz instalação em peito farto de tiros ao vento. E o cheio se aproveita para descansar enquanto não é chegada a hora de abastecer a vida com galanteios da música, floreios de amor e quedas menos bruscas. Já que o tombo existe, que seja apenas de raspão. A arma já está apontada para a cabeça e as ilusões não demonstram nem interesse em permanecer. Só o real agoniza, força a dor e desencanta até os mais lúcidos, calejando o que é de dentro e feito para ser intenso. Quanto mais se justifica o silêncio dessa agonia, mais ela se expande, ganha dimensões nada coloridas e flerta com a decadência. Sobreviver ao caos é preciso. E mais necessário ainda é ver o amanhecer ouvindo os violinos da vida pulsando e chamando para o combate. Assim a crença se volta para a necessidade do olhar infinito em busca da primeira dança de sorrisos a bailar pelo corpo. 

Foto: Lara Aguiar
- Obra de arte exposta no Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires