quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Museu da Língua Portuguesa em São Paulo











O primeiro post sobre a visita cultural a São Paulo diz respeito ao Museu da Língua Portuguesa. Tinha que ser porque era sonho antigo e sabia que ia ficar extremamente emocionada, ainda mais quando soube que a exposição temporária da vez era dedicada a Fernando Pessoa, uma das minhas grandes paixões literárias.

Logo no primeiro andar dei de cara com painéis com fotos de Fernando Pessoa, frases que se formavam digitalmente nas paredes e até em uma piscina de areia. Versos espalhados nas paredes e livros digitais atraíam os olhares dos visitantes e da criançada. Em meio a tanta tecnologia, uma mesa repleta de livros (de papel) do escritor português, em várias edições. A iluminação é pouca e não é permitido o uso de flash, por isso as fotos ficaram um tanto sem nitidez.

Já no andar de cima, fica a exposição permanente, onde um grande telão fica mostrando histórias curiosas da língua portuguesa. Do outro lado, no mesmo pavilhão, um grande mural ou painel conta a história da língua até os dias de hoje. O museu é todo vigiado e organizado. Um passeio que vale muito a pena!!

Viagem a Sampa


Esta semana trarei aqui algumas das minhas impressões sobre a minha viagem a São Paulo no último final de semana, onde visitei museus, a Bienal de Arte e assisti a duas peças de teatro. Enfim, um passeio cultural mais do que esperado. Um sonho que se realizou e que por conta do trabalho e da falta de tempo, nunca virava realidade. Mas o tour não ficou só nos meios culturais não. Também passei por locais de compras, como o bairro da Liberdade, o Brás, a rua 25 de Março e a rua José Paulino. Tudo muito corrido, mas valeu a pena. Porém, o foco aqui será tudo aquilo que encheu minha alma de alegria, deslumbramento e êxtase, ou seja, aquilo que poucas coisas tem o poder de causar no ser humano, como é o caso da arte.
Só um detalhe: estava muito frio por lá (média de 16 a 20 graus). Pra um nordestino, isso é algo complicado...kkkkk

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Trecho de "Cavala"


Há poucos posts atrás comentei sobre o Prêmio Sesc de Literatura. E não é que hoje me deparei com um fragmento de um conto de um dos ganhadores do Prêmio de 2009? Estava terminando de ler a Revista Cult, quando vejo na última página o conto Fome, de Sérgio Tavares, escritor e jornalista. O conto integra Cavala, o livro vencedor na categoria Contos e publicado pela editora Record.

Antes de expor aqui um trecho do conto, preciso comentar que o autor é extremamente genial quando resolve inovar após a pontuação. Ele simplesmente ignora que a próxima palavra após o ponto deve começar com letra maiúscula. Nesse sentido, segue as linhas clariceanas e saramagueanas de se escrever. Além disso, um rico vocabulário e a utilização de bons argumentos metafóricos e sinestésicos garantem ao texto uma variedade sombria e elucidante ao mesmo tempo. É texto pra dar prazer, pra ser degustado, pra ser acariciado. Mesmo com palavras duras, a linguagem desce suave, lúcida, cheia de sentido.

A escolha do trecho foi proposital. Me identifiquei com algumas palavras, alguns trejeitos na linguagem. Mais adiante mostrarei um texto meu que parece um pouco com esse trecho que escolhi do conto para mostrar. Já está mais do que certo! Próxima aquisição literária: Cavala


Trecho do conto "Fome"

Neste instante, meu corpo começa a reagir em abstinência. uma fúria explode em jorros de sangue fervente pela musculatura retesada, queimando a corda que controlava o animal voraz, sedento e insaciável. estou ardendo entre as coxas e já não consigo mantê-las fechadas. ele permanece sob os umbrais, exatamente onde o quero, prostrado, com uma secreção mole escorrendo sobre os lábios manchados de iodo, carcomidos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Oceano Só



Gente, a pedidos, apresento-lhes novamente o texto "Oceano Só". Espero que gostem!


Oceano Só

Sou a solidão. Difusa, acelerada e lembro o mar revolto no meio do oceano, inteiramente sugador, cheio de sustos e presas, mistérios azuis, toda uma massa aguada e guerreira. Só, mas não só. Eu que sou a pura vaga alimentada. Carrego comigo a amiga apatia e o amante desespero. Então não sou essencialmente solitária. Tenho a nomenclatura chave de um ser vazio, mas ao mesmo tempo trago os indesejáveis porque estão naturalmente ligados ao meu existir.

Mania de querer perder o rótulo confuso de uma imagem desgastada e aterrorizante. Não nego a minha base destruidora. É o que me faz atuante e louca, ingênua e descompromissada, vagando em fios turquesa com lilás. Gasto o tempo que nem conheço só para apreciar o resultado de estar dentro dos desafortunados, acordando a selvageria adormecida e sacudindo a revolta.

E como um sopro, vento desorientado, sigo através da substância salgada, visitando areias e deixando formas descompostas, transparecendo a minha sina inescapável. Por onde flui meu sangue, o etéreo se desvanece em frescor e doçura. Um dia respirarei outra água. Ou talvez nem liquefaça mais.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Direções


Mesmo preenchido de tinta, de casaco ou de pó-de-arroz, o vazio existe no que já está cheio. As cores das fantasias, a proteção do dia-a-dia e a maquiagem que revestem a figura não são suficientes para o afarinhamento do buraco que mais parece uma azia vulcânica. Mal de amor? Mal de dor. Bem querer? Só querer. Desejo de uma palavra que vá salvar o sonho antes que seja extraviado para a terra da frustração. Lá, vivem os mendigos de aventuras. Melhor gritar como um corte na garganta até sair a última gota de pus deste avarento destino da normalidade. Olha-se a hora, vê o tempo refletir rápido e garante que os ponteiros estão pelo avesso. Não há mais instantes a perder. O abismo está à espreita. Escolha.