segunda-feira, 23 de março de 2009
Deletras
Que delícia quando, no meio de um texto, acontece o ápice da palavra. É como um gozo dos sentidos, um afiado momento arfante que sobrepõe os instantes de expectativa. Desejo de capturar e congelar a sensação provocada pela claridade da palavra ou termo ora perfeitamente empregado. E quando esta pontada orgânica reaparece antes do final? São êxtases múltiplos, que pululam na mente do leitor, loucos por um grifo ou uma transposição para um caderno meia-boca. É...a leitura provoca prazeres indizíveis em ávidos por "deleites de letras".
domingo, 15 de março de 2009
E o Oscar vai para...

Foi Apenas Um sonho!
Assisti ao filme Revolutionary Road (Foi Apenas Um Sonho) hoje. Película merecedora de Oscar, de prêmios, de louvações. Fotografia impecável, interpretações fantásticas e diálogos riquíssimos.
Não dá pra sair de um filme como esse da mesma forma como entrou. No mínimo, o "start" de um despertar se realiza, resultando em reflexões sobre cada argumento bem alinhavado no discurso.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Estante em construção
Há poucos dias uma amiga muito querida me enviou por e-mail o endereço de um site onde todos os amantes da literatura se encontram para trocar idéias sobre os livros que mais gostaram, fazer resenhas, enfim, trocar figurinhas com a tribo dos leitores abusados.
Entrei, comecei a montar a minha estante virtual e acabou virando vício. Todos os dias tenho entrado para verificar a quantidade de livros e de páginas. Sim! O site quantifica o número de páginas lidas.
Então, dentro dessa perspectiva, tenho me observado como leitora e percebido que essas constatações de leitura vão além dos livros que já li ou que possuo na minha estante "de madeira" em casa. É que conheço muito autores e seus conteúdos, mas nem sempre dá pra comprar mais um livrinho né? As contas fixas estão aí para serem pagas...rs
Bom, mas lá no site tem uma seção onde a gente registra os livros que abandonamos, seja por não gostar ou por falta de tempo. E aí lembrei que o meu primeiro livro abandonado (sempre com a promessa de uma tentativa futuresca) foi "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Até então, tinha lido todos que havia começado. Existia um compromisso "inútil" da minha parte com os livros, sempre achava que iriam me transportar para algum lugar, por isso nunca rejeitava. Mas, até que me deparei com esse sertão ríspido e resolvi não ferir as minhas vontades ou a falta delas.
Daí em diante, comecei a rejeitar todos que não me apraziam desde o início. E passei a não insistir mais em leituras que, naquele momento, não iriam trazer nada que me despertasse o interesse. Explico-me: "Os Sertões", por exemplo, é uma obra que merece toda a louvação possível, mais pela assertiva em vários saberes do que pelo (des)prazer causado no leitor. Bom, mas é claro que um botânico ou um sociólogo poderiam degustá-la com minúcias, isso não vou negar. Só que eu... tsc tsc... não pretendo tão cedo me aventurar nesta leitura sobre os termos científicos de um tipo de cacto encontrado em uma região árida com terra ocre.
Ou seja, posso até não gostar de certos tipos de textos regionalistas, por exemplo, mas respeito-os e enxergo a relevância dos estilos e histórias. Mas, confesso: não sou fã da temática regionalista. Adoro o ambiente urbano e com personagens sem sotaque caipira. Não sei explicar...acho que isso só combina na tela, não no papel. Outra confissão: tenho medo de Guimarães Rosa. Ainda não li, mas faço idéia. Imagino que os neologismos dele vão me deixar louca e de sorriso largo. Porém...esse cheiro de mato no meio do caminho ainda não me cativa... Vou dar tempo ao tempo...
Depois comento mais sobre o site. É assunto que não acaba mais!rs
O endereço é: http://www.skoob.com.br/
Divirtam-se!
Entrei, comecei a montar a minha estante virtual e acabou virando vício. Todos os dias tenho entrado para verificar a quantidade de livros e de páginas. Sim! O site quantifica o número de páginas lidas.
Então, dentro dessa perspectiva, tenho me observado como leitora e percebido que essas constatações de leitura vão além dos livros que já li ou que possuo na minha estante "de madeira" em casa. É que conheço muito autores e seus conteúdos, mas nem sempre dá pra comprar mais um livrinho né? As contas fixas estão aí para serem pagas...rs
Bom, mas lá no site tem uma seção onde a gente registra os livros que abandonamos, seja por não gostar ou por falta de tempo. E aí lembrei que o meu primeiro livro abandonado (sempre com a promessa de uma tentativa futuresca) foi "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Até então, tinha lido todos que havia começado. Existia um compromisso "inútil" da minha parte com os livros, sempre achava que iriam me transportar para algum lugar, por isso nunca rejeitava. Mas, até que me deparei com esse sertão ríspido e resolvi não ferir as minhas vontades ou a falta delas.
Daí em diante, comecei a rejeitar todos que não me apraziam desde o início. E passei a não insistir mais em leituras que, naquele momento, não iriam trazer nada que me despertasse o interesse. Explico-me: "Os Sertões", por exemplo, é uma obra que merece toda a louvação possível, mais pela assertiva em vários saberes do que pelo (des)prazer causado no leitor. Bom, mas é claro que um botânico ou um sociólogo poderiam degustá-la com minúcias, isso não vou negar. Só que eu... tsc tsc... não pretendo tão cedo me aventurar nesta leitura sobre os termos científicos de um tipo de cacto encontrado em uma região árida com terra ocre.
Ou seja, posso até não gostar de certos tipos de textos regionalistas, por exemplo, mas respeito-os e enxergo a relevância dos estilos e histórias. Mas, confesso: não sou fã da temática regionalista. Adoro o ambiente urbano e com personagens sem sotaque caipira. Não sei explicar...acho que isso só combina na tela, não no papel. Outra confissão: tenho medo de Guimarães Rosa. Ainda não li, mas faço idéia. Imagino que os neologismos dele vão me deixar louca e de sorriso largo. Porém...esse cheiro de mato no meio do caminho ainda não me cativa... Vou dar tempo ao tempo...
Depois comento mais sobre o site. É assunto que não acaba mais!rs
O endereço é: http://www.skoob.com.br/
Divirtam-se!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Um pouco de água viva
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.
Água Viva, pág. 20 - Clarice Lispector
Esse trecho acima já diz tudo. Busquemos o que ninguém pensou, pois é nessa origem que deve estar o avesso e a contra-luz. Por que a vida tem que ter lógica? Os caminhos são vários e as retas não desembocam num quadrado. Seja!
Água Viva, pág. 20 - Clarice Lispector
Esse trecho acima já diz tudo. Busquemos o que ninguém pensou, pois é nessa origem que deve estar o avesso e a contra-luz. Por que a vida tem que ter lógica? Os caminhos são vários e as retas não desembocam num quadrado. Seja!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Tempo de delicadeza

O livro que recomendo esta semana é "Tempo de delicadeza", de Affonso Romano de Sant'Anna. Já tinha outros livros do mesmo autor, mas este é imperdível. Trata-se de um conjunto de crônicas versando sobre o tema da delicadeza ou a falta dela neste mundo moderno. Como é livrinho de bolso da L&PM Pocket, custa bem barato: R$ 6,90.
Bom, ninguém melhor do que Affonso Romano para falar de delicadeza, afinal, é o escritor da palavra refinada e sutil, porém sem deixar de lado o criticismo. É servo do rigor no texto, mas ao mesmo tempo é docemente popular. Fã e amigo de Lispector, sua escrita contempla os problemas do nosso tempo. É um literato da contemporaneidade.
Poeta, ensaísta, cronista e professor, Affonso é mineiro de BH, de 1937 (ah, Minas: sempre vento de cultura). É casado com a escritora Marina Colasanti.
Obs.: O outro livro que possuo dele também é de crônicas: "Mistérios gozosos". Só este nome já não lhe deu curiosidade? Outro dia falarei dele!
Confira um trecho da crônica "Tempo de delicadeza":
"Sei o que vão dizer: a burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados.
- E eu não sei?
Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados."
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